[Resenha] O Tempo, de Clarice Lispector

O Tempo
Autor(a): Clarice Lispector
Editora: Rocco
Páginas: 264
Avaliação: 4.3
Capa: 5 Diagramação: 4.5 Conteúdo: 3.5

“A solidão de que sempre precisei é ao mesmo tempo inteiramente insuportável.”

Meu primeiro contato com Clarice Lispector se deu através de frases – aquelas mais conhecidas e mais clichés – que achava pela internet. Foi amor à primeira vista: como alguém conseguiu colocar em palavras tudo o que eu sentia?

Então, como toda e qualquer fã, cheguei a conclusão de que não dava para ser uma espécie “fake”. Isto significava que eu tinha que pegar um livro dela, ler inteiro e descobrir o que eu realmente achava de sua escrita. Fiz isso (curiosidade: o livro que li foi Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres).

Demorei para ler, coloque “demora” nessa frase! No final das contas, entretanto, sabia: tinha encontrado uma autora única e que eu gostaria de ler mais. Assisti entrevistas, pesquisei sobre sua vida e me tornei uma stalker de uma pessoa que hoje só existe pela literatura.

Foi quando soube do lançamento O Tempo, da editora Rocco. Um livro cheio de trechos de outros livros da autora, de cartas, de tudo. E foi como voltar ao tempo, lá quando não sabia nada sobre Clarice, apenas que ela me entendia mais que ninguém.

“O que eu tenho na verdade é um coração pequeno onde já não cabem coisas, tão cheio de amor guardado ele é.”

Se você, como eu, começou a gostar dos textos da autora por causa de frases soltas, então O Tempo é o livro certo para você. Porque nele conseguimos nos envolver com a mulher Clarice e suas opiniões.

Suas emoções, que nunca acreditei que fossem muito separadas de sua escrita. Apenas uma parte, bem pequena, da mulher que ela foi e das angústias que viveu. E, mais uma vez, é possível se conectar com essa pequena parte dela, identificar-se.

O que mais gostei no livro foi ver como as frases que mais me tocaram, mais me emocionaram e mais tiveram similaridades comigo já não são as mesmas. Certo, eu sei, é natural que seja assim – concordo. Mas O Tempo realmente me levou numa viagem no meu próprio tempo. E como isso poderia não ser espetacular?

“Eu tenho essa tendência geral para exagerar, e resolvi tentar não exigir dos outros senão o mínimo. É uma forma de paz.”

Acho que, assim como em todos os livros deste estilo, gostar ou não vai depender da sua experiência. No que você acredita? O que você sente? O que já passou? Como já se sentiu? Essas respostas moldarão sua opinião, assim como moldaram a minha.

Entretanto, posso adiantar que a editora está sim de parabéns. Primeiro porque Roberto Corrêa dos Santos selecionou frases muito boas de Clarice Lispector, algumas fazendo (naturalmente) mais sentido que outras.

Segundo porque a capa foi muito bem desenvolvida e, acredito, colocar ela de forma tão colorida coube perfeitamente aos trechos selecionados. A diagramação também me chamou atenção, com seus desenhos simples e significativos.

Se vale a pena comprar? Se você gosta e conhece os livros da autora, sim.

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