Resenha | Os 13 Porquês, de Jay Asher

Os 13 Porquês
Autor(a): Jay Asher
Editora: Ática
Páginas: 255
Avaliação: 4.5
Capa: 4 Diagramação: 4.5 Conteúdo: 5

Quando Clay Jensen recebe uma caixa com sete fita cassetes, sem remetente, ele não sabe exatamente o que esperar. Primeiro: quem ainda ouve fita cassete? Segundo: por que a caixa não vem com destinatário? Quando começa a ouvi-las, entretanto, ele entende que seu mundo está para mudar. A voz é de Hannah Baker, a garota pela qual ele foi apaixonado por muito tempo, mas somente em uma noite tomou coragem para de fato conversar com ela.

Hannah Baker cometeu suicídio. E, em 13 fitas — todas, exceto a última, com lado A e B gravados —, ela explica o que a levou até aquele ponto. Até o dia que a decisão foi tomada. Ela não poupa detalhes: mostra passo por passo, história por história, conexão por conexão o que a fez se ver de outra maneira, de uma maneira que simplesmente não fez a vida parecer capaz de compensar.

Os 13 Porquês é um livro curto, mas direto sobre o assunto que propõe. Sua narrativa está na visão de Clay, mas explora todos os áudios de Hannah, tornando-nos observadores de, ao mesmo tempo, duas histórias: tudo que aconteceu com Hannah e tudo que Clay passa ao descobrir o papel de 13 pessoas naquela história. É impressionante como, no final das contas, não existe um jogo real de culpa: a decisão foi de Hannah, ponto. Porém fica claro que cada uma das pessoas citadas teve, sim, sua influência na trajetória da garota.

Mais do que uma história sobre suicídio, é uma história sobre confiança e autoestima. Confiança em si mesmo e na capacidade de confiar no outro mesmo quando muitas pessoas já nos decepcionaram. Autoestima para entender que não somos o que falam que somos, mas sim o que queremos ser. Temos, nas nossas mãos, o poder de nos construirmos e vestimos na nossa própria camisa, sem medo. E isso não é fácil de fazer, ainda mais quando sentimos que precisamos atender expectativas vindas de todos os lados.

É um livro sobre oferecer ajuda e se colocar no lugar do outro. Algo lindo na teoria, mas, novamente, complexo na prática. O quanto suas ações podem influenciar a vida de outra pessoa? Às vezes não é questão de se colocar em primeiro lugar na própria vida (o que, acho, todos devemos fazer), mas apenas lidar com sentimentos de vingança e menosprezo. São coisas diferentes que, acredito, o livro consegue explorar com muita delicadeza.

Jay Asher tem uma escrita que, apesar do tema pesadíssimo, é leve. Intensa quando precisa ser, mas sem pender para exageros e clichês. Então é um livro que realmente lemos rápido, porque vai muito além da curiosidade de saber todos os motivos que levaram Hannah até aquele ponto, batendo direto no ponto de que este é um livro bom de ler, que nos faz ficar pensando na história mesmo quando encerramos a última página e sabemos que um ciclo foi fechado. Um deles pelo menos.

Admito que o livro chegou nas minhas mãos por dois motivos: a série que vai estrear — um momento de agradecimento à Netflix — e pela recomendação enfática da Nanda. E não tem como se arrepender da leitura: é dessas que, quando cê começa, não consegue parar. Mesmo se tiver numa fase, como a minha, de não conseguir focar em livro nenhum.

Fica! Tem trailer da série

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