Resenha | Os Farsantes, de Graham Greene

Os Farçantes
Autor(a): Graham Greene
Editora: Biblioteca Azul
Páginas: 359
Avaliação: 4
Capa: 4 Diagramação: 5 Conteúdo: 3

Uma das grandes vantagens da literatura é nos levar a mundos, lugares ou países que nunca fomos. “Ver” situações, fatos ou acontecimentos históricos que nunca vimos, ou que só temos conhecimento devido à leitura de livros de história.

Os Farsantes, de Graham Greene, leva-nos ao Haiti na década de 1950. Período da Guerra Fria. Período em que o Haiti viveu um momento histórico muito diferente de Cuba, que lutou contra a supremacia norte-americana. O que Graham Greene nos traz são alguns elementos que ele mesmo alega ter visto e vivido durante o período em que esteve no Haiti.

Não é novidade que o Haiti tenha como marca a pobreza. Uma vez ou outra deparamo-nos com notícias sobre alguma catástrofe que aconteceu no país. Greene criou um romance (não no sentido de romântico) pincelado de história. O que nos aproxima da “realidade” do Haiti ausente de glórias e dominado por homens preocupados em se alinharem com os EUA, condenando o comunismo e usando a força para amedrontar homens e mulheres que viviam no Haiti nesse período.

Além disso, pela leitura é possível concluir que essa dominação no país levou os turistas embora, tornando o Haiti extremamente pobre, enquanto os políticos sobreviviam à base de especulações de obras, em que grande parte do dinheiro era desviada. Esse é o pano de fundo do romance contado.

O principal personagem é o Sr. Brown, um europeu que viveu sua infância e parte da sua juventude em um colégio jesuíta em Monte Carlo. Sua mãe era bastante afastada dele e seu pai, nunca chegou a conhecer. O Sr. Brown abandona sua escola após perceber que não tem vocação para a vida religiosa.

Livro Os Farsantes de Graham Greene

Um dia, ainda na época da escola, se disfarçou para parecer mais velho e ir a um cassino. A partir daí, quando descobrem que ele jogara, abandona a escola e vai para a Inglaterra. Sua vida se resumiu em se disfarçar, em ser um farsante para sobreviver. Já chegou a vender obras de arte como se fossem obras de artistas que receberiam reconhecimento, quando na verdade, um garoto pintava as obras e em cada uma delas a assinatura era diferente. Estas assinaturas tinham sobrenomes inventados e que pareciam ser de importância.

Sr. Brown chega ao Haiti depois de receber uma carta da mãe. Esta juntou dinheiro e havia adquirido um hotel no Haiti, no período em que o país recebia muitos turistas e assim obtinha retorno financeiro. Brown cuidou dos negócios de sua mãe, após a morte.

Outros personagens são o Sr. e a Sra. Smith, que pretendiam implantar um centro vegetariano no Haiti, o major Brown, ninguém sabe ao certo sobre sua vida, Sr. Fernandez, agente funerário. Brown conhece-os em um navio que estava indo para o Haiti.

Há também Martha, amante de Brown, Joseph, funcionário do hotel de Brown, o jovem Philipot, que pretendia ser um guerrilheiro contra o governo ditatorial e Dr. Magiot, médico e amigo haitiano de sua falecida mãe.

Cito apenas um único detalhe a mais, Os Farsantes é um romance situado no Haiti, em que a perspectiva é europeia e o destaque se dá justamente em relação ao regime ditatorial e o impacto na vida turística no país. Graham Greene era escritor e jornalista inglês. Nasceu em 1904 e faleceu em 1991, Greene tem cerca de 60 romances publicados. Ele incorporava em seus romances sua própria experiência de vida.

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