Resenha | Os Impostores, de Charlaine Harris e Christopher Golden

Os Impostores
Autor(a): Charlaine Harris e Christopher Golden
Editora: Valentina
Páginas: 128
Avaliação: 4.7
Capa: 5 Diagramação: 5 Conteúdo: 4

Calexa Rose Dunhill se lembra da sua morte, e apenas disso. Ela não sabe seu verdadeiro nome – este foi escolhido ao observar as lápides ao seu redor -, nem de onde é ou se tem família ou amigos. Ela acorda em pleno cemitério, machucada e apavorada, sem pistas sobre o que aconteceu.

Sua única certeza é de que ninguém pode saber que ela ainda está viva. Por isso, com o passar dos dias, ela está decidida a fazer do cemitério um lar tanto quanto for possível. Uma missão que, para quem não tem nada além das roupas do próprio corpo, não é nada fácil.

A saída acaba sendo roubar, e faz de duas pessoas seus alvos principais: uma senhora cuja casa fica perto do cemitério, e o zelador de lá. Ainda que ambos fiquem bastante insatisfeitos de ver que suas comidas e jornais foram roubados, eles logo entendem que não se trata de alguém querendo fazer mal, mas alguém necessitado.

É assim que Calexa arruma dois amigos que, sem saber sua história e sem ouvir sua voz, estão presentes para ela quando ela precisar. O cemitério, todavia, não é um lugar exatamente calmo. Principalmente quando um grupo de amigos está decidido a transformar o lugar em palco para um assassinato – um assassinato que, é claro, Calexa presencia.

A HQ de Charlaine Harris e Christopher Golden traz uma narrativa fluida que vai além do formato. Harris por si só é reconhecida pelo universo vampiresco que narra a história de Sookie Stackhouse, personagem que deu origem à série da HBO True Blood, e seu talento para situações obscuras, porém bem desenvolvidas está presente em cada página de Os Impostores.

Golden, por sua vez, traz na bagagem o trabalho com Mike Mignola em Hellboy: Odd Jobs e Buffy the Vampire Slayer, e contribui com o tom sombrio da história de Calexa. As ilustrações são de Don Kramer, responsável por inúmeros projetos de capa e arte da Marvel e DC Comics – e é claro que seu trabalho não desaponta.

As cores são sempre muito bem exploradas e é fácil acompanhar a história e a intensidade que ela quer passar nos momentos mais relevantes, mesmo o jogo criado para as lembranças que Calexa naturalmente tem ao longo do quadrinho. A edição da Valentina está com tradução, revisão e diagramação maravilhosas.

É, definitivamente, uma história que merece a leitura. E, uma observação final de quem ainda está começando a ler quadrinhos: foi extremamente fácil imaginar uma série sendo feita a partir da história, trazendo elementos que, juntos, sempre combinam, como suspense, um leve peso de drama e uma aventura que a personagem é obrigada a viver.

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