[Resenha] Pacto Secreto, de Eliane Quintella

Pacto Secreto
Autor(a): Eliane Quintella
Editora: Novo Século
Páginas: 360
Avaliação: 2.8
Capa: 1.5 Diagramação: 2.5 Conteúdo: 4.5

Eliane Quintella teve uma ideia incrível e inovadora para seu primeiro livro. O que fazer quando Deus não parece oferecer ajuda enquanto o Diabo (ou melhor, Satan) manda um “enviado” para resolver todos os seus problemas? É essa a situação de Valentina.

Não há dúvidas do potencial do livro, principalmente quando a história começa de fato a se desenvolver e os caminhos e escolhas se tornam mais complexos e difíceis de fazer. O primeiro livro é a primeira experiência de Eliane como escritora “profissional” e garante uns bons minutos de leitura.

Um ponto negativo e notável e como há mudanças drásticas nos personagens, que em um minuto estão mais para sensuais, e no outro tem um perfil completamente diferente, para logo em seguida voltar ao primeiro e mudar novamente – o que foge um pouco da realidade e tira um pouco da caracterização dos personagens

Outro detalhe está no fato de que o livro se passa em primeira pessoa, o que é ótimo por uma série de motivos, entretanto não permite garantir pensamentos “não falados” de outros personagens – coisa que acontece vez ou outra durante a narrativa.

O livro mistura religiões e crenças, hora pendendo para o católico, hora para o espiritismo e suas vertentes, o que pode ter sido feito propositalmente e deixa o leitor curioso para essa mistura e não tendência a nenhuma religião, permitindo o desenrolar da história de forma inovadora.

Uma das frases que, entretanto, me chamaram atenção de forma negativa seria: “Não há espíritos subevoluídos”, pois assim cria uma hierarquia que não funciona desta forma na religião espírita.

Não querendo me estender no assunto, mas – para os que acreditam nisso – existem espíritos mais e menos desenvolvidos, o que não faz de um espírito subevoluído, errado, ilógico e proibido de pertencer a algum lugar.

De qualquer forma, chama a atenção para o excesso de referências afetivas à personagens, como “filhinha”, “bonequinha”, “minha filha” dentre outros que poderiam ser cortados evitando repetições desnecessárias, que acontecem não só nessas referências como também em informações do próprio livro.

Certas horas a personagem pensa uma coisa e fala em seguida – poderia escolher apenas um dos meios de informar ao leitor o que se passa / sente, tornando a leitura mais tranquila. Vez ou outra, claro, é usado para enfatizar algo, porém o excesso não é bem visto.

Por outro lado, o livro traz à tona a questão do livre arbítrio e explora o se colocar no lugar do outro. Consciente e coerente, traz uma discussão muito interessante nos mais diversos assuntos – mesmo quando a história parece se passar rápido demais. É interessante, inovador e inteligente. Agora só resta ficar no aguardo da continuação.