Resenha | Paperweight, de Meg Haston

Paperweight
Autor(a): Meg Haston
Editora: HarperTeen
Páginas: 304
Avaliação: 4.7
Capa: 5 Diagramação: 4.5 Conteúdo: 4.5

Paperweight se inicia com Stephanie, ou simplesmente Stevie, contando os dias para o aniversário de um ano da morte de seu irmão, Joshua. Um momento naturalmente triste, mas bem mais complexo se levar em consideração que:
1. Ela está em um centro de tratamento intensivo (por causa da anorexia);
2. Ela precisa ficar 60 dias ali;
3. Faltam 27 dias para o aniversário da morte do seu irmão;
4. Ela se considera culpada pela morte dele;
5. Há um ano ela se prepara para sua própria morte, que deve acontecer exatamente no mesmo dia.

Naturalmente, ela tem um problema com o plano: para conseguir se matar, ela precisa sair dali, mas não existem formas de conseguir isso antes do prazo estipulado.

Logo ela entende o funcionamento do lugar, sabe que a fita vermelha significa “ruim” para eles, significa que a pessoa não está conseguindo seguir o programa. Amarelo é para quem está no caminho certo. Verde, para aqueles que estão bem. Para Stevie, entretanto, é o oposto. E ela começa inclusive sentindo pena das “Meninas Verdes”.

Aos poucos, vamos observando o dia a dia de Stevie, com ela se envolvendo com a menina que divide o quarto com ela, percebendo que não é a única com problemas.

Apesar do tema profundo, Meg nos apresenta a história de Paperweight de forma delicada. Através da visão de Stevie, uma personagem absurdamente realista, vamos entendendo o processo da anorexia, como a desnutrição a impede de realizar ações simples, como, principalmente, a culpa a consome por inteiro – a ponto de que ela considere correto morrer, em vez de viver. É uma lógica deturpada, mas comum a muitos adolescentes, e fácil ficar no lugar de Stephanie, pensar suas decisões.

Mais fácil ainda e se envolver com a história dela e das demais personagens. Somos envolvidos de tal forma que mal sentimos a história passar: queremos continuar lendo para saber o que vai acontecer, quando, se ela vai se matar, se o final será diferente, surpreendente. Quando o final chega, sentimos como se estivéssemos um pouco mais completos que antes, porque é uma história capaz de nos mudar um pouquinho por dentro.

Não é um livro cuja narrativa tenta nos enrolar. Ele traz alguns flashbacks, mas todos são importantes para total compreensão do que está sendo dito e falado. É um livro que foge ao comum e vale – muito! – a pena.

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