Resenha | Para Educar Crianças Feministas, de Chimamanda Ngozi Adichie

Para Educar Crianças Feministas
Autor(a): Chimamanda Ngozi Adichie
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 96
Avaliação: 5
Capa: 5 Diagramação: 5 Conteúdo: 5

Chimamanda Ngozi Adichie nasceu em Enugu, mas cresceu em Nsukka, sudeste da Nigéria. Aos 19 anos, deixou a mãe e o pai para se mudar para os Estados Unidos, para estudar na Universidade Drexel, na Filadélfia, e, mais tarde, transferiu-se para a Universidade de Connecticut. Para Educar Crianças Feministas é uma carta para uma amiga e, mais que isso, é um manifesto feminista.

Quando uma amiga lhe perguntou como educar sua filha para que ela fosse feminista, Chimamanda não tinha uma resposta certa. Em vez de um passo a passo detalhado e descritivo, ela escreveu uma carta com sugestões. São 15 ideias que sua amiga tem total liberdade para colocar ou não em prática, e todas estão pautadas em situações reais e cotidianas. São coisas que eu enfrento todos os dias e, possivelmente, você também.

Como não tenho tanto conhecimento sobre todas as vertentes do feminismo e a forma como cada uma delas defende alguns pontos da luta, achei que o livro seria um bom ponto de partida para pensar além do básico: como homens e mulheres deveriam ter os mesmos direitos em qualquer coisa. A questão, é claro, está no poder de escolha da mulher, e não em regras do que é certo e errado. O feminismo, ela diz, é uma questão de contexto.

Por isso ela salienta duas “Ferramentas Feministas”. A primeira parte da frase: ‘eu tenho valor. Eu tenho igualmente valor. Não “se”. Não “enquanto”.‘ (p. 12) Já a segunda é: se invertermos as situações, os resultados são os mesmos? Admito que a primeira ainda era uma certeza falha, enquanto a segunda é algo que venho praticando há algum tempo — e nem sempre tenho a resposta, por mais simples que ela possa parecer.

Alguns pontos falaram alto para mim, e fazem parte do dia a dia. Vale salientar que não necessariamente os comentários e as ações partem de homens, mas muitas vezes de outras mulheres — e, independentemente do caso, cabe a você decidir o que é melhor para você. Dentre outros assuntos, Chimamanda diz:

Todo mundo vai dar palpites, dizendo o que você deve fazer, mas o que importa é o que você quer fazer, e não o que os outros querem que você queira. […] Permita-se falhar.

E fala sobre como não devemos agradecer quando o outro faz o mínimo, que qualquer relação é fruto de uma troca que precisa ser justa e boa para ambos os lados. Mulheres, em geral, são criadas de forma a serem limitadas, poucas vezes tendo liberdades para explorar os arredores porque, como “princesas” (apelido carinhoso que, na verdade, demonstra fragilidade em vez de força), precisam ser defendidas e reverenciadas. Na verdade, mulheres “só precisam ser tratas como seres humanos iguais” (p. 39) — e isso inclui todas elas, não apenas aquelas que homens têm como irmãs, sobrinhas, filhas.

Para Educar Crianças Feministas também demonstra o poder dos livros quando defende o hábito da leitura: “os livros vão ajudá-la a entender e questionar o mundo, vão ajudá-la a se expressar, vão ajudá-la em tudo que ela quiser ser — chefs, cientistas, artistas, todo mundo se beneficia das habilidades que a leitura traz”. E fala sobre sexualidade e a forma como mulheres são educadas de forma a agradar.

Apesar da temática, a leitura é rápida e prende a atenção. E, mesmo sem trazer uma profundidade ao questionamento do tema, é exatamente o que se propõe ser: um (excelente) manifesto. O início de um aprendizado. E práticas que podemos muito bem aplicar às nossas próprias vidas.

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