Resenha | Persépolis, de Marjane Satrapi

Persépolis
Autor(a): Marjane Satrapi
Editora: Companhia das Letras
Páginas: 352
Avaliação: 5
Capa: 5 Diagramação: 5 Conteúdo: 5

O outro. Lidar com o outro nem sempre é fácil. Ainda mais quando o outro é de uma cultura, tem uma religião e pensamento diferente do nosso. Persépolis faz-nos enxergar como o outro se sente longe de sua família, da sua cultura e de seu país. O livro, que é uma história em quadrinhos, tem como personagem principal a Marjane Satrapi, a própria criadora do quadrinho, sendo então uma história autobiográfica. A história se passa no eixo Oriente Médio e Europa, antes e depois da revolução de 1980 no Irã.

Marjane Satrapi nos conta sua história e também a de seu país. Confesso que não conheço muita coisa da história oriental e ter contato com uma história como essa é enriquecedora. Sabemos, por meio de Persépolis, que as mulheres no Irã, antes de 1980, tinham liberdade de vestimenta. Após, o uso do véu, a burca torna-se elemento obrigatório. Marjane Satrapi apresenta como ela viu a transformação de seu país.

Seus pais sempre foram ligados a protestos de combate às opressões do governo. Marjane Satrapi cresceu em um meio em que se faziam e discutiam críticas ao governo, a atitudes opressoras e contrárias à crença de um grupo de indivíduos que compõem a sociedade.

O comportamento da mulher passou a ser controlado. A altura da burca podia indicar que a mulher muçulmana estava “facilitando” ou se mostrando demais aos homens, provocando-os. O uso de maquiagem e a liberdade sexual também eram questionados.

Por se meter em problemas na escola, Marjane Satrapi foi enviada pelos seus pais à Áustria, onde viveu anos conturbados de sua vida. Lá ela era a outra, a muçulmana, a do país em guerra, mas no Irã, ela não se sentia uma verdadeira nativa. Questionamentos dessa natureza estão na cabeça dela o tempo todo. Ela vive uma vida que não a fazia bem. Teve relacionamentos abusivos, teve de conviver com o preconceito de quem não a aceitava.

‘Persépolis’ não é apenas uma história de uma muçulmana vivendo na Europa. É uma história sobre o Irã, sobre a opressão das mulheres no Oriente, o preconceito para com o outro, o diferente. Se pensarmos no momento em que vivemos hoje, muitos imigrantes sofrem com o julgamento de serem de outro país, por terem outra cultura e outra religião. As mulheres seguem sofrendo com a opressão.

Cabe ressaltar que isso não é exclusividade do Oriente, o Ocidente também oprime. Ao olharmos para nossa própria sociedade ocidental e cristã, vemos os preconceitos que muitos estrangeiros passam por não serem de um país “avançado”. Vemos mulheres morrendo e sendo ameaçadas todos os dias pela opressão da nossa sociedade patriarcalista. Não há uma liberdade de fato para as mulheres.

A leitura dessa história é fundamental em diversos sentidos. Para percebermos o quanto o Ocidente oprime o outro, o quanto desconhecemos a história do Oriente (simplesmente a guerra que dura anos é ignorada por nós), o quanto as mulheres sofrem e o quanto a humanidade precisa perceber que há um caminho imenso a percorrer para que cada ser humano seja tratado de forma justa e igual.

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