Resenha | Persistente, de Bianca Reis

Persistente
Autor(a): Bianca Reis
Editora: Independente
Páginas: 56
Avaliação: 5
Capa: 5 Diagramação: 5 Conteúdo: 5

Persistente é o segundo livro de Bianca Reis, autora dos quadrinhos publicados na página Anna Bolenna – A perturbada da corte, lançado de forma independente através de uma campanha realizada no Catarse. Foi um prazer contribuir um pouquinho para que ele fosse lançado. Mais do que um nome no final do livro – que traz o nome de todos que apoiaram financeiramente o projeto – o assunto me interessou.

Bianca consegue colocar em palavras e imagens o que é o convívio com a ansiedade e a depressão. Em Persistente, ela começa contando resumidamente a sua história – ela não nos dá muitos detalhes, nem especifica todas as batalhas vencidas, ela só nos faz entender um pouquinho de quem ela é a partir das coisas que viveu.

Poderia ser limitador, mas sua escrita simples, direta e atenta aos fatos não deixa espaço para questionamentos. Não conhecemos Bianca, não sabemos como ela é no dia a dia, mas, naquele momento, estamos ao seu lado, entendendo parte de quem ela é e do que ela viveu e como esse livro não poderia receber um título melhor. Bianca, assim como muitos de nós, é persistente.

Seu livro, ao contrário do que pode parecer, vai além de puras experiências. Seus sentimentos são fáceis de entender para quem já esteve em situação similar. Para quem sabe o que é não querer levantar, sabe que “tristeza” não define o que se sente e o quanto é difícil se manter em movimento quando tudo que se quer é não estar em movimento algum.

Eu me vi em seus quadrinhos, ainda que nossas experiências sejam completamente diferentes. Ainda que nossas vidas tenham quase nada em comum. Por uns momentos, estive com ela e ela esteve comigo. Juntas não estamos sozinhas, não precisamos ter vergonha, nem precisamos explicar. Foi como um abraço à distância, um sussurro de “eu estou aqui”. Às vezes é isso que precisamos para seguir em frente.

Persistente vai além disso também. Ele fala sobre um ciclo de violência doméstica, fala sobre abandono, fala sobre os dias bons e os sorrisos e o quanto a depressão e a ansiedade conseguem nos enganar tão bem quanto às pessoas que temos ao nosso redor (mas achamos que não). É também reflexão. Compartilhamento. E o tipo mais puro de vulnerabilidade. Vulnerabilidade não é ruim, é a mais forte coragem.

Bianca, você não está sozinha. E obrigada por esses momentos de compreensão.

Uma observação

O livro da campanha veio acompanhado por outros dois: Brega, sincero e duvidoso e Amélia Baleia, corpo de sereia e os dois são tão maravilhosos quanto Persistente, ainda que tratem de temas mais leves, mas não menos importantes.

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