Resenha | Pó de Lua nas Noites em Claro, de Clarice Freire

Pó de Lua nas Noites em Claro
Autor(a): Clarice Freire
Editora: Intrínseca
Páginas: 208
Avaliação: 4.8
Capa: 5 Diagramação: 5 Conteúdo: 4.5

Diferentemente do primeiro livro de Clarice Freire, Pó de Lua nas Noites em Claro traz mais que apenas escritos e desenhos da autora. Eles ainda ocupam uma ou duas páginas, eles ainda são impactantes e fáceis de se conectar. Sem dúvida, eles ainda falam por nós.

A diferença é que, aqui, existe sumário. E o sumário é dividido em horas, indo de meia-noite às 5 da manhã. É, se formos pensar, uma proposta de madrugada com um livro na mão. Os desenhos recebem complementos com pequenos textos – apenas algumas frases – e os capítulos contam uma história.

O livro todo, aliás, conta uma história. Sobre noite, escuridão, amanhecer. Um tanto sobre descobrirmos a nós mesmos, um tanto sobre aproveitar os momentos de puro silêncio e aquele tico de mistério que o ar da noite carrega consigo.

Livro Pó de Lua nas Noites em Claro, de Clarice Freire

Abri a gaiola do imaginário / então liberei os sonhos contidos. / Voaram com o vento por toda a casa / como se não fossem mais proibidos.

Em meio à história, ainda encontramos os Diálogos Insones, com os quais uma ou duas frases contam uma história nova, daquelas que a gente sempre tem e imagina ter logo antes de dormir.

É poesia pura, e exige um pouco de imaginação do leitor. Mais uma vontade de entrar, por alguns momentos, numa leitura diferente, que nos inspira e nos leva numa viagem. É fácil se ver nos escritos, fácil sentir aquele aconchego que um bom livro causa.

Mais que isso, pra mim, foi um conforto e confronto. Quando Clarice coloca em palavras “quem te visita na madrugada? E quem sai pela tua janela? […] Quem invade teus sonhos sem ser convidado?” é impossível não encarar a realidade que bate à porta e na correria do dia a dia a gente sequer vê.

Livro Pó de Lua nas Noites em Claro, de Clarice Freire

Não te dei meus pedaços. / Nem minhas partidas. / Eu quis partir com você por inteiro.

Acho que Pó de Lua sempre foi isso: as entrelinhas que a gente encara todos os dias e nunca vê. O trabalho da diagramação continua tão impecável quanto no primeiro volume: ainda em formato moleskine, com páginas coloridas e folhas com boa gramatura.

É impossível não se apaixonar, não se apegar e não querer que o livro fosse só um pouquinho maior. Ele deixa saudade quando acaba e a certeza de que valeu a pena.

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