[Resenha] Ratos, de Gordon Reece

Ratos
Autor(a): Gordon Reece
Editora: Intrínseca
Páginas: 240
Avaliação: 3.7
Capa: 5 Diagramação: 3 Conteúdo: 3

Um thriller psicológico capaz de te fazer pensar por dias depois de ter terminado a leitura.

Ratos me deixou pensando desta forma. Foi um livro que li aos poucos; tive que fazer diversas pausas para poder entender melhor o que estava acontecendo e tentar compreender os motivos.

Me fez pensar tanto que, ao terminar, saí correndo atrás da May, do Tagarelando, para podermos conversar sobre ele: eu precisava de alguém para me ajudar a colocar as ideias em ordem.

Depois de sofrer um acidente na escola por causa de um bullying violento, Shelley e sua mãe se mudam para um lugar bem afastado da cidade, com a intenção de não serem encontradas.

Elas são ratos: não reagem a nada, se escondem, têm medo de tudo. Mas, certa noite, depois de serem assaltadas dentro de sua própria casa, isso acaba por mudar quando ambas viram cúmplices de um crime que acontece em legítima defesa.

Em Ratos não vemos vilões e mocinhos, conhecemos seres humanos e podemos enxergar como uma pessoa qualquer se comporta numa situação de risco – não que todos vão realmente ter a mesma reação que Shelley e sua mãe tiveram, mas elas reagiram de uma forma que eu, particularmente, jamais havia imaginado poder acontecer em um livro.

Dou pontos positivos para Gordon Reece por sua capacidade de criar um enredo tão bem feito e uma história tão real, mas ao mesmo tempo não posso dizer que amei o livro porque não foi bem isso que aconteceu.

Entendam: O livro é muito bom, mas ao pensar nas atitudes de mãe e filha, não posso dizer que concordo com todas elas – se era isso que o autor queria fazer com seus leitores, preciso dizer que ele alcançou seu objetivo com maestria.

Shelley narra a história e com isso podemos ver suas fraquezas, seus sonhos, suas loucuras… Acompanhamos o desenvolvimento da personagem por causa de sua narrativa e também percebemos como é seu relacionamento com cada um dos outros personagens desta história.

Eu pensei muito sobre o relacionamento de Shelley com sua mãe e cheguei à conclusão, conversando com a May, que elas deixam de ser mãe e filha e, em certo momento se tornam apenas cúmplices por causa do que cometeram.

É fácil perceber que mesmo que apenas a filha sofra bullying na escola, a mãe também não tem amigos, não tem com quem conversar e acaba usando Shelley como sua amiga e confidente.

O livro poderia ter tomado diferentes caminhos, mas Reece preferiu deixá-lo desta forma e, acredito eu, colocar todos os seus leitores para pensar nas atitudes de seus personagens e tentarem se colocar no lugar das duas. Eu me coloquei, mas confesso que até agora não consegui pensar como as duas.

Se você gosta de um bom thriller psicológico, Ratos é o livro certo para você.

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