Resenha | Razões para continuar vivo, de Matt Haig

Razões para continuar vivo
Autor(a): Matt Haig
Editora: Intrínseca
Páginas: 240
Avaliação: 4
Capa: 4 Diagramação: 5 Conteúdo: 3

Aos 24 anos, Matt Haig experimentou o pior da depressão. Agora, quatorze anos mais tarde, ele conta sua história e tenta, através dos seus capítulos, ajudar e dar apoio a quem também precisa enfrentar essa doença.

Dividido em quatro partes, ele vai desde o pior da depressão até o momento de valorização da própria vida e do dia a dia. Ao fazer isso, ele fala sobre o que o mantém forte, sem medir as palavras quando relembra seus piores dias, quando ansiedade e depressão se misturavam e o deixavam em um estado que não pode ser idealizado.

Razões para continuar vivo literalmente nos dá motivos para continuarmos tentando, continuarmos aqui, sendo o mais forte que podemos e não desistindo. Há capítulos que são tweets de pessoas que enfrentam os mesmos problemas; outros são reflexões sobre como é possível sobreviver à doença e continuar firme e forte; outros são listas; enquanto alguns são conversas de Matt consigo mesmo: o Matt de antes e o de agora.

A edição da Intrínseca está linda. Não encontrei nenhum erro gramatical e a diagramação está muito bem feita, colaborando para uma leitura bem fluida dos textos. Em capa dura, o livro transborda simplicidade de todas as formas, e é assim que tem que ser, encaixando-se bem no objetivo do mesmo.

Apesar de narrar uma experiência bem pessoal, não fui particularmente atraída por algumas estratégias que Haig utiliza. É interessante, claro, ver como pessoas famosas sobreviveram mesmo tendo a doença – é importante entendermos que isso é possível.

Todavia, já não concordo tanto quando ele passa um capítulo descrevendo como grandes nomes fizeram grandes feitos por causa da depressão. Acho perigoso falar dela como potencializadora do nosso melhor, porque – como ele mesmo diz – é uma doença, que precisa ser tratada e mata mais gente que o próprio câncer, por exemplo.

Em uma sociedade que já não leva muito a sério as chamadas doenças mentais (e as julga constantemente) é perigoso você idealizar de qualquer forma que seja. Não acho que essa tenha sido a intenção do autor, mas acho que foi o que ele acabou naturalmente fazendo, e isso me deixou um pouco preocupada.

No geral, é um livro bem escrito, fácil de ler e traz elementos importantes para quem está precisando de um pouco de esperança. As coisas vão ficar melhores, eu prometo.

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