[Resenha] Ruthless People, de J.J. McAvoy

Ruthless People
Autor(a): J.J. McAvoy
Editora: The Writers Coffee Shop
Páginas: 328
Avaliação: 4.5
Capa: 4 Diagramação: 4.5 Conteúdo: 5

Personagens fortes, muito bem desenvolvidas e dinâmica irresistível.

Quando encontramos livros desse gênero, costumamos dividir as mulheres em dois tipos: as com postura submissa (sem julgamentos) e aquelas que sofreram muito e, por isso, tornam-se fortes com a ajuda dos melhores homens, antes tão preocupados em mantê-las dentro de quatro paredes seguras.

Ruthless People não é nada disso. Melody Giovanni e Liam Callahan são de famílias rivais, mas seu casamento foi arranjado pelos seus pais com o objetivo de unir as duas famílias mais fortes – a Irlandesa, de Liam, e a Italiana, de Melody – para formar a máfia mais forte de Chicago.

Liam sequer viu a foto de Mel, está torcendo para ela ser pelo menos bonitinha e inteligente o suficiente para ficar dentro de sua cama e fora do seu trabalho. Ela, é claro, vai aceitar o mundo violento, mas estará segura em seu quarto, aguardando sua chegada.

Só que Mel não é nem um pouco disso. Na verdade, ela é Capo da família Giovanni e comanda já há algum tempo toda uma área. Mel tem homens aos seus pés, é impiedosa e não aceita ordem de ninguém – e o título de “marido” não muda isso.

“Eu quero que você me ame, – eu disse suavemente. – Mas se não, então eu quero que seja a coisa mais próxima de você me amar. Eu quero a sua lealdade. Eu quero a sua honestidade. Eu quero você do meu lado e de mais ninguém. Eu quero seu corpo. Eu quero a sua mente. Eu quero saber suas esperanças e sonhos para que eu possa um dia torná-los realidade.”

Ruthless People mostra o machismo em todos os aspectos. Seja através do controle, da posse, da dinâmica da máfia e do lugar ao qual “pertence” a mulher. Só que, ao invés de mostrar uma realidade de forma a falar “é isso, aceitem”, ele usa Mel Giovanni para mostrar uma outra face da moeda: uma na qual a mulher faz o que ela quer, quando quer, se quer e do jeito que quer.

Se só por isso o livro já ganhou meu respeito, quando vi como a história estava sendo desenvolvida, foi impossível não me apaixonar por completo. Intenso do início ao fim, ele não dá muito espaço para momentos que não sejam brutos ou de ação. Algo necessário, pela leitura às vezes pesada em violência.

J.J. McAvoy passa a maior parte da narrativa focando em dois pontos de vista: Liam e Mel. Mais no final, entretanto, ela nos surpreende ao dar voz a outras personagens, até então secundárias e pouco desenvolvidas. Delas, a que mais me deixou curiosa foi Caroline, casada com Declan, que toma seus primeiros passos para ser uma mulher muito mais forte que aparenta.

Recomendo, muito. Mas sem dúvida é um livro para o qual o leitor precisa estar preparado: ele não é gentil, amável e fofo. Ele tem sexo, tem violência e é brutal em muitos níveis. De quebra, pega os preconceitos e os explora ao extremo, de uma maneira muito positiva.

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4 comentários

  1. Marina Garcia em

    Olá Camille! Confesso que possuo um pouco de receio em ler os livros desse gênero, um ou outro que já tentei que me agradaram, outros passei longe. Sou mais do terreno da fantasia, mas estaria mentindo se disse que sua resenha sobre Ruthless não despertou minha atenção, pois adoro filmes de ação envolvendo máfias e coisas do tipo. Bom, quem sabe eu leia uma hora dessas…

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  2. Hayanne Deise Lins em

    Uau! Sou bem fã de livros que falam sobre o racismo, acho que você pode entender claramente pela minha última resenha literária. Fiquei apaixonada pela história, apesar de conter cenas de violência, é necessário para demonstrar o que o racismo e machismo pode fazer, mesmo nos nosso dias atuais. Fiquei bastante interessada na leitura. Ótima escrita, muito sucesso pra você! 😀

    Beijos

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  3. Adriana ap em

    Gosto muito de livros, não conhecia esse o resumo é bem interessante, parece que tem um genero forte é disso que eu gosto…

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    1. Camille Labanca em

      É um livro bem forte e intenso. Mas é incrível <3

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