Resenha | Simon vs. a agenda Homo Sapiens, de Becky Albertalli

Simon vs. a agenda Homo Sapiens
Autor(a): Becky Albertalli
Editora: Intrínseca
Páginas: 272
Avaliação: 5
Capa: 5 Diagramação: 5 Conteúdo: 5

Simon tem 16 anos e é gay. Ele sabe disso há algum tempo, mas ainda não contou para ninguém. Não que seus amigos fossem se importar, ou mesmo sua família, que está acostumada a fazê-lo assistir realities shows como The Bachelor para discutir o episódio mais tarde.

Ele contra alguém com quem conversar quando lê, pelo tumblr do colégio, um relato poético de um garoto sobre sua homossexualidade. E-mails anônimos começam a ser trocados pelos dois que, ao mesmo tempo que se entendem tanto e desejam se encontrar, não querem isso por nada no mundo.

Um dia Simon ficou tão ansioso pela resposta de Blue que acessou o e-mail pelo computador da biblioteca e – clássico erro – esqueceu de dar logoff. Martin foi o próximo a usar o computador e leu toca a troca de e-mails entre os dois.

Martin não é preconceituoso, mas – se Simon quer guardar segredo – então é a oportunidade perfeita para ele conseguir uma chance com Abby, amiga de Simon. E é isso, num tom de favor, ainda que não se passe de uma chantagem, Martin negocia com o menino um encontro. E é exatamente aqui que o livro começa.

Simon vs a agenda Homo Sapiens é um dos livros mais fofos que eu já li na vida. Parece clichê falar, mas literalmente é um desses livros que a gente começa a ler e não querer parar, porque logo está envolvido com a história.

Simon, Leah, Abby, Blue: todos são cativantes, com personalidade e bem desenvolvidos. Até Nick, Bram e Garret, os meninos do time de futebol. E é incrível como Becky Albertalli consegue escrever uma história sobre o universo LGBT e escolar colocando tudo sob uma lona de fofura, sem diminuir a realidade dos problemas diários.

Fofura talvez não seja a palavra certa. Delicadeza é. Porque Martin não chega forçando a barra com violência, e não faz o perfil de garoto popular, ainda que, obviamente, seja um babaca. Simon, tem poucos amigos, mas se senta numa mesa com jogadores de futebol e desenhistas. Não existe a clássica separação de excluído e popular, ainda que fique claro que uns são mais populares (e excluídos) que outros.

Outros detalhes me tiraram um sorriso durante a leitura. Os pais de Simon, por exemplo, assim como suas irmãs. Principalmente no episódio do Natal, quando todos se unem para jogar caça ao tesouro no Facebook (quando alguém fala alguma coisa, como “um casal apaixonado”, e todos precisam encontrar um post que demonstre isso) – e me deixou com vontade de brincar disso também.

Ou como os capítulos de Simon vs a agenda Homo Sapiens são intercalados entre a troca de e-mails de Blue e Simon e o dia a dia. Mas, a verdade, é que não me apeguei a nenhum dos dois de um jeito especial, como alguns leitores. Eu me apeguei a tudo: às personagens (principalmente Leah) e à narrativa. E a ideia da Agenda Homo Sapiens.

Amei esse livro. É tranquilo de ler, apaixonante, simples e realista. Recomendo demais.

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