[Resenha] Síndrome Psíquica Grave, de Alicia Thompson

Síndrome Psíquica Grave
Autor(a): Alicia Thompson
Editora: Galera Record
Páginas: 336
Avaliação: 4.3
Capa: 5 Diagramação: 4 Conteúdo: 4

Uma boa comédia, com uma personagem facilmente identificável

Segura: se você acha que Síndrome Psíquica Grave é um sick lit, engana-se! Ou talvez seja, a questão que quero falar é que este livro não é nada como qualquer outro que você já leu – de verdade. Quando vi sobre ele, acreditei que a proposta fosse uma, bastou um capítulo para eu entender o quanto tinha entendido errado.

Eis que somos apresentados a Leigh Nolan, estudante de psicologia na faculdade há poucos meses, quer se especializar em imagem corporal e distúrbios alimentares. Logo de cara, ela encontra duas coisas: uma colega de quarto artista pela qual vamos nos apaixonar e uma “inimiga” que quer exatamente o mesmo que ela – e realmente tem motivo para isso.

Se Leigh não se acha maluca, a faculdade colocará isso a prova. Porque, vamos pelo começo: seus pais são donos de uma pousada um tanto diferente, sua mãe ensina dança xamãnica (fiquei curiosa, admito) no centro comunitário feminino e o pai faz voto de silêncio por uma semana todo ano.

Ele também anda sempre com um tapa-olho. Não que ele tenha de fato algum problema no olho que torne necessário o acessório – ele apenas acha que é uma boa estratégia de marketing para a pousada. Com pais desses e o teste que ela faz logo no começo do livro, bom, o subconsciente está comprovando: ela não é normal.

Bem, estatísticas não mentem. As pessoas mentem. Às vezes as estatísticas podem fazer uma mentira soar melhor, mas isso é só boa matemática.
– Página 17

Mais que isso, Leigh namora há um ano. Aos 18 anos pode-se supor que o casal já fez de tudo né? Só que não. Então entra um grande drama na vida de uma adolescente-quase-adulta que ainda não perdeu a virgindade: perdê-la. Será que Andrew é mesmo o cara certo?

É nesse esquema que segue a leitura. Só que tem um detalhe. Talvez o livro acabasse sendo mais do mesmo, chatinho, mesmíssima coisa de sempre – se Alicia Thompson não tivesse um dom de colocar em cada frase o ar necessário para fazer da sua personagem tão original.

Ei, não estou falando dos sonhos e desejos. Ela é como você, como eu fui, como todas nós já nos sentimos uma vez na vida (acho, se você nunca se sentiu como ela fala, bom, acho que você pode ter problemas – cuidado), mas o tom cômico que segue toda a narrativa eleva o livro de mediano para muito bom.

É uma leitura rápida, que perpassa por temas que fazem parte do cotidiano adolescente, que estão presente sim na vida das pessoas, talvez na de alguém que você conheceu. Ou ligue a TV e vá ver uma novela, elas sempre abordam primeira vez, bulimia, gravidez na adolescência.

E é provavelmente por isso, junto a caracterização da personagem, que somos conquistados na leitura. Quando vemos, o livro já terminou.

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