Resenha | Só a gente sabe o que sente, de Frederico Elboni

Só a Gente Sabe o Que Sente
Autor(a): Frederico Elboni
Editora: Benvirá
Páginas: 168
Avaliação: 5
Capa: 5 Diagramação: 5 Conteúdo: 5

Sabe quando você conhece uma nova palavra e essa palavra começa a aparecer em tudo no seu dia a dia? Ela está naquele cartaz preso no supermercado abandonado, no título do livro que você decidiu de última hora comprar, no texto chato para a faculdade e na fala daquele amigo com quem você conversa todos os dias, mas, até aquele momento, você podia jurar que nunca tinha tido contato com essa palavra?

Frederico Elboni foi mais ou menos assim pra mim. Chega a ser irônico compará-lo com uma palavra, já que é através delas que ele conquista qualquer pessoa. Eu não conhecia seu blog, seus outros dois livros, nem sabia que gravava uns vídeos aí dizendo uns pensamentos e umas verdades. Não conhecia seu rosto, não tinha lido nenhuma de suas palavras, não sabia como ganhava dinheiro, onde vivia, nem o que comia.

“Encontrar quem a gente ama, nos doar inteiramente e saber que, mesmo não parecendo, isso foi suficiente.”

Ainda não tenho certeza de onde ele é, e o que sei sobre sua alimentação estava exposto em algumas páginas desse livro. E isso me basta. Porque, é claro, não é isso que me chama atenção. Eu o conheci através de Muito Amor, Por Favor (Sextante, 2016). Seus textos eram os últimos do livro, sua foto na aba era bem charmosa e, quando enfim cheguei na sua parte, a do “amor ar”, foi tiro e queda: apaixonei. Pelos textos, permita-me esclarecer.

Corri para comentar no grupo de amigas no whatsapp – naquele impulso de “ai meu Deus, vocês PRECISAM ler isso!” — e percebi que todas elas o conheciam. Uma conhecia o blog e me mandou o link, outras duas compartilharam dois dos seus vídeos (com um acréscimo de: “você precisa mesmo é ver isso aqui”) e a quarta já tinha lido outro livro seu. E então ele começou a aparecer em todo lugar, não me deixando escolha que não escolher um dos três livros lançados e comprar.

Livro Só a gente sabe o que sente, de Frederico Elboni

“Chego a pensar que talvez eu só tenha medo de ser feliz por estar tão acostumado com a decepção.”

Fechei os olhos e comprei Só a gente sabe o que sente. Ele chegou um dia antes do previsto — obrigada, amazon! — e peguei para ler no mesmo dia. Acho que é o livro com o maior número de marcações (dá-lhe post-it!) que eu tenho na minha estante. Ele é bom assim.

Seus textos são curtos, organizados com uma diagramação que é tão simples quanto bate perfeitamente com a delicadeza do que está escrito. Delicadeza não no sentido excessivamente romântico, mas que é real, que a gente entende, que faz parte do nosso dia a dia. Pelo menos, do meu.

“Não me peça decisões, me peça beijos. Me dê margem para sonhar. Me dê certezas que lhes darei asas. […] Eu nasci para aquarelar os pretos e brancos que ainda existem.”

Há conforto em saber que a gente não está sozinho, seja no medo de ser feliz — algo que, particularmente, tanto entendo e enfrento todos os dias quanto acho a coisa mais imbecil do mundo —, seja no amar com intensidade, seja no deixar para trás o passado e olhar adiante, na esperança de que, um dia, vamos poder deixar de ser feliz sozinhos para ser feliz com alguém.

Há conforto em achar frases aqui e acolá (e em quase todas as páginas, cof) que nos fazem sorrir, nos identificar e perceber que alguém no mundo sabe como é sentir determinado sentimento. E gostar de ficar sozinho, e gostar de viajar e gostar de um carinho a dois. E é particularmente incrível como ele não necessariamente precisa focar nas palavras gentis e doces e educadas para falar de amor, ou de sexo. É o que é, e pronto.

“A vida está precisando de um pouco mais de loucura e menos indecisão.”

Só a gente sabe o que sente fala sobre tantas coisas, tantos momentos, que é impossível explorar os lados positivos e negativos de cada um deles numa mera resenha. Se tem uma coisa que posso insistir com segurança, entretanto, é que você pegue esse livro para ler. Um texto por dia (boa sorte se de fato tentar isso, eu quis ler tudo de uma vez só), para não vir a desculpa de que não tem tempo.

Depois, quem sabe, podemos combinar barzinho sobre algumas coisas que estão escritas ali. Ou talvez essa seja só minha desculpa para poder bater um papo sem me preocupar tanto com vulnerabilidade ser coragem ou fraqueza — se me perguntarem agora, podem ter certeza: coragem.

Deixe seu comentário

* campos requeridos

Comentar via Facebook