[Resenha] Sob o Céu do Nunca, de Veronica Rossi

Sob o Céu do Nunca
Autor(a): Veronica Rossi
Editora: Rocco
Páginas: 336
Avaliação: 5
Capa: 5 Diagramação: 5 Conteúdo: 5

“Perry não confia em palavras. Ele já me disse que as pessoas mentem com frequência. Por que ele se daria ao trabalho de ouvir palavras falsas?”

Você talvez esteja cansado de distopias, ou ansioso para o último filme de Jogos Vorazes (eu certamente estou). Talvez você esteja pensando “não é possível existir algo bom como o que já li” e, bom, eu estaria tentada a concordar com você. Estaria, se não fosse por Sob o Céu do Nunca.

Estamos num futuro não determinado. A chuva de Éter fez com que a população se dividisse em Núcleos, complexos construídos para a segurança, que mesmo se atingidos não se desintegram. A tecnologia comanda todos esses Núcleos.

Através dela as pessoas, planejadas geneticamente até os mínimos detalhes, podem voar, viver em um mundo de sereias e fazer basicamente qualquer coisa através de olhos mágicos (uma espécie de “óculos” que levam quem os usa aos Reinos), tudo como se fosse real. Eles não sentem medo, não conhecem o perigo e ninguém tem muita vontade de conhecer o mundo exterior.

Todos se sentem perdidos às vezes. É a maneira de agir de uma pessoa que a distingue das demais.
– Pág. 217

Ária, de 17 anos, é uma dessas pessoas. Sua mãe partiu de Quimera para Nirvana. Geneticista, ela tinha uma missão que não podia compartilhar com ninguém. O problema é que a conexão entre os Núcleos foi desconectada e Ária para de receber informações sobre sua mãe. O que aconteceu?

É tentando descobrir a resposta que ela se une à sua melhor amiga e três garotos, um deles filho de um dos cônsules, Soren. O plano de se aproximar do garoto acaba saindo pela culatra e as coisas dão tão errado que ela acaba expulsa de Quimera. E ela precisará testar sua inteligência, objetividade, autocontrole e persistência para sobreviver ao exterior.

Mesmo com ajuda de Peregrine, Perry para os íntimos. Seu sobrinho, doente, acaba de ser capturado pela gente de Ária e ele está determinado a buscá-lo. Perry, que sempre viveu no exterior, sofreu algumas mutações e tem habilidades que o ajudam no dia a dia numa terra de adversidades.

“Como se pode ferir assim alguém que se ama?”
“As pessoas podem ser até mais cruéis com aqueles que amam.”
– Pág. 254

E, acredite, só aqui a história realmente começa. Não que essa parte inicial seja chata, definitivamente não é, mas ficamos o tempo todo curiosos para o que está por vir, querendo entender o desenrolar das coisas. Gostei muito das justificativas que Veronica Rossi encontrou para propor esse ambiente e de como ele afeta as pessoas, para mim fez todo o sentido.

Ária não é uma menina mimada, como claramente Soren seria. E agradeço muito pela história não ser contada por sua amiga, que tenho sérias dúvidas se conseguiria sobreviver dois segundos ali fora. Ária é determinada, ela quer o que quer e vai conseguir descobrir, mesmo que para isso precise reaprender basicamente tudo.

Perry, e aqui deve ter alguma coisa biológica falando que vamos gostar dos homens que se mostram mais propensos a sobreviver ou qualquer coisa dessas, porque Perry tem tudo de homem Neanderthal. Menos, talvez, o principal: ele não é machista. Perry é caçador, sabe encontrar facilmente perigos e se livrar deles, mas sabe ser carinhoso e até um bom professor.

E na vida as chances eram sua melhor esperança. Eram como suas pedras. Imperfeitas e surpreendentes, e, a longo prazo, talvez melhores que as certezas. As chances, pensou ela, eram a vida.
– Pág. 265

O início é perfeito para descrever Perry: ele com seu sobrinho, carinhoso e preocupado, mas o relacionamento conturbado com o irmão e o desejo de ser o líder da sua tribo, sabendo de tudo de bom que pode trazer à ela. Inclusive, por exemplo, a sobrevivência de todos.

Quando personagens secundários aparecem, fica mais claro o talento de Veronica Rossi. Ela faz com que Roar (por sinal, adorei o nome), Cinder e Marron sejam carismáticos, ainda que cada um com sua peculiaridade. É difícil não se deixar levar por algum deles, e pelas histórias que eles carregam.

Estou apaixonada pelo livro, apaixonada pela forma de narrar da autora e pela história. Mal posso esperar para o lançamento dos próximos dois volumes – um pedido muito honesto à Rocco que não demore porque necessito. Recomendo muito a leitura, tenho certeza de que você não vai se arrepender.

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