Resenha | Talvez um Dia, de Colleen Hoover

Talvez um Dia
Autor(a): Colleen Hoover
Editora: Galera Record
Páginas: 368
Avaliação: 5
Capa: 5 Diagramação: 5 Conteúdo: 5

É o aniversário de 22 anos de Sydney, mas as coisas não poderiam ter dado mais errado. Ela espera chegar em casa, uma casa que divide com sua melhor amiga, Tori, e encontrar tanto ela quanto seu namorado cantando parabéns, com um bolo bonito nas mãos, enquanto alguns amigos gritam “surpresa!”. O que encontra, entretanto, não poderia ser mais distante disso.

Hunter e Tori aproveitam os banhos de Syd, assim como seus horários de trabalho, para manter uma rotina de intensas relações sexuais. Talvez Sydney suspeitasse, mas a confirmação chega como uma bomba: através de mensagem e uma falta de ação dos dois quando ela abre a porta e faz a temida pergunta. Ela arruma as malas e sai; sentada na chuva, percebe que seus problemas são ainda maiores: ela deixou a bolsa no apartamento, está sem um tostão e sequer tem para onde ir.

Quem a ajuda é Bridgette, uma garota que começa a gritar com ela antes de puxar sua mala até o outro apartamento. Quem a acolhe de fato é Ridge, que ela conhece apenas pela música (ambos em suas devidas varandas, ele tocava para ela enquanto ela fazia seus trabalhos da faculdade) e por algumas breves trocas de mensagens. Ela recebe uma roupa nova, roupa de cama para forrar o sofá e tem onde dormir na pior noite da sua vida. Um conforto em meio à tempestade.

“Mas é arte. E arte é apenas um meio de expressão. Uma expressão não é o mesmo que um ato, por mais que às vezes pareça ser.”

Ridge está com um bloqueio criativo e não escreve nenhuma música há uns seis meses. Ele e seu irmão tem uma banda, e seu papel é criar as letras e os acordes para que o irmão mais novo cante. Sydney é exatamente o que eles precisam: suas letras de música são incríveis e combinam com as melodias que Ridge inventa. Juntos, eles são musicalmente perfeitos.

Em outros aspectos também. Exceto pelo detalhe que Ridge tem uma namorada, Maggie. E Syd não quer jamais se tornar numa Tori, tanto quanto ele não quer ser comparado com Hunter. Resistir um ao outro enquanto moram sob o mesmo teto, entretanto, não será a mais fácil das situações.

O que mais me atraiu em Talvez um Dia, além do óbvio e já declarado talento de Colleen Hoover para a escrita, é que Maggie não é tratada como uma namorada chata. Ela, na verdade, é muito legal e criamos uma simpatia por ela, mesmo quando temos a esperança que o relacionamento dela com Ridge não dure mais que o estritamente necessário.

Não sei porque estou tentando esconder minha reação dele, mas não é isso o que as pessoas fazem? Nós nos esforçamos tanto para esconder nossos verdadeiros sentimentos justamente das pessoas que mais precisam saber. Todo mundo tenta controlar as emoções, como se, de alguma forma, fosse errado reagir com naturalidade.

Colleen não cria uma personagem desprezível para que a gente torça para Syd e Ridge, mas retrata uma garota que está enrolada com sua tese e trabalho e quer viver sua vida da melhor forma possível. Ao mesmo tempo, Ridge não é o babaca que Hunter claramente é. Fica claro em todas as páginas que ele sabe qual é o seu papel em cada relacionamento e tenta, até o fim, fazer o que é certo.

Ridge não mente. Assim como Sydney também não. Eles assumem o problema e tentam resolver da melhor forma possível, tentando sair da situação o menos magoados que conseguirem — o que, claro, acaba sendo impossível. O que eles tem, assim como o que Ridge tem com Maggie, ou com Warren (o amigo que também mora no apartamento e também trabalha na banda), é verdadeiro, cada um em seu nível.

E acho que isso que é relevante aqui. Odeio essas histórias que alguém namora e precisa decidir o que quer da vida, mas trai constantemente uma pessoa. Era meu medo ao pegar esse livro para ler, porque ia acabar com raiva de todo mundo. E não é isso que acontece em Talvez um Dia. Cada personagem tem sua relevância em níveis diferentes, níveis que só vamos entender ao ler o livro e prestar atenção aos detalhes.

Entretanto, aprendi que não podemos dizer ao coração quando, quem ou como amar. O coração só faz o que quer. A única coisa que podemos controlar é se escolhemos nos dar a chance de deixar nossa vida e mente alcançarem nosso coração.

Não gostei de apenas duas coisas. A primeira é que conto as páginas nas quais Sydney não estava chorando, ou prestes a chorar, ou segurando o choro. A segunda é que, em vários momentos, Syd é retratada como madura, porque nunca se desestabiliza a ponto de gritar, ou brigar, ou sair da casa do rapaz com aquele leve toque de drama que a maioria dos livros adoraria explorar. Isso, em si, não é o problema. A questão é: isso reflete maturidade ou falta de amor próprio?

Syd tinha todo o direito de gritar, se quisesse. A situação é o tempo todo frustrante. Querer manter uma amizade sem tentar se salvar da lama movediça onde está não me soa como ser madura. Me soa como não estar pronta para deixar o cara ir. Me soa como esperança. Me soa como uma forma de só acabar se magoando ainda mais diante das circunstâncias. E isso não é ser maduro, é não saber lidar com a realidade, acho.

Nem esse momento conseguiu acabar com meu amor por Talvez um Dia. Delicado, muito bem desenvolvido, com personagens maravilhosas, é um livro que recomendo muito. Se você já gosta de Colleen Hoover, não tem como não se apaixonar por essa história — talvez uma das melhores da autora (e olha que, como li o livro todo de madrugada, não consegui acompanhar com as músicas).

Há apenas 26 letras no nosso alfabeto. Seria de imaginar que existe um limite do que alguém pode fazer com essa quantidade de letras. Entretanto, essas 26 letras podem provocar infinitos sentimentos numa pessoa, e esta música é a prova disso. Nunca vou entender como algumas palavras juntas podem mudar alguém.

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1 comentário

  1. Raissa Novaes em

    Olá!
    Esse com certeza é um dos meus livros favoritos da Colleen *-*
    Eu amei os personagens e a maneira como toda a trama foi trabalhada.
    Ouça as músicas, são ótimas!
    Adorei a resenha, beijos!

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