[Resenha] Terra Cruz, de Leonardo Brum

Terra Cruz
Autor(a): Leonardo Brum
Editora: Novo Século
Páginas: 311
Avaliação: 3.5
Capa: 3 Diagramação: 3.5 Conteúdo: 4

Terra Cruz está no centro de dois universos: um predominado pelo medo, outro pela animação. A inauguração de uma boate é o símbolo da modernização da cidade, da parte boa. Todavia, pessoas desaparecidas – muitas sequer são encontradas – são o começo do terror.

Santiago, professor de matemática na faculdade local, passou três dias desaparecido antes de ser encontrado, sem se lembrar de absolutamente nada do que aconteceu. Criado pela mãe, ele não conhece nada do pai. A ausência de informações sobre ele é assustadora, afinal sequer há fotos para saber como ele parecia ser.

Com poucas informações, logo nas primeiras páginas somos apresentados a Samuel e Érika que, junto com Santiago, entram em uma caverna para não serem interrompidos enquanto fumam. Ao notar que ela está cheia de morcegos, Santiago conta com a ajuda de Érika para aliviar a tensão que o fato provocou. E, mesmo que isso soe como uma aventura adolescente, é apenas o começo da narrativa que junta o real e o imaginário de forma que prende qualquer leitor.

Ao acordar no dia seguinte, ele se permite pensar um pouco sobre o dia anterior: morcegos voando de forma ordenada para fora da caverna e a reação de Samuel – que sempre o esperava na saída da faculdade e nunca falava sobre mulheres – ao ver a situação em que ele e Érika estavam. Dando de ombros, resolveu se focar na elaboração das provas finais que aplicaria aos alunos de Física I e, depois, respondendo perguntas subentendidas que sua mãe o faz.

Nesse ponto, Santiago ainda não sabe que suas experiências o guiarão nessa aventura em que vampiros estão atrás de vingança e sangue, ao mesmo tempo em que fogem do fogo, da luz do Sol e de uma outra capaz de acabar com seus planos: a luz divina. Agora os dias estão contados para que descubra a verdade sobre seu pai, e o quanto isso o afeta.

Leonardo nos envolve logo na primeira página, iniciando uma série de perguntas inquietantes que nos faz virar as páginas famintos de informações com: “Deus? Você acha que foi Deus quem criou os vampiros?”. Misturando ciência e fantasia, questões que até hoje dividem pessoas em grupos de crentes (que acreditam em alguma coisa) e dos que acham que tudo não passa de uma besteira.

Sua narrativa nos guia através de questões sobre a origem dos vampiros, sua natureza e como é possível os destruir. De forma alguma previsível, o livro nos surpreende com algumas reviravoltas e um final que nenhuma palavra é capaz de descrever com a intensidade certa.

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