[Resenha] True, de Erin McCarthy

True
Autor(a): Eric McCarthy
Editora: Verus
Páginas: 266
Avaliação: 4.3
Capa: 4.5 Diagramação: 4 Conteúdo: 4.5

True é sobre sentimentos verdadeiros: o amor em todos os seus estados

Quando li a sinopse do livro, pensei: previsível, mas bonitinho. Porque era óbvio que eles iam se apaixonar em algum momento (senão, cadê a graça?). Fui vendo uns comentários falando da leveza do livro e ficando curiosa, então recebi o livro da Verus.

E finalmente o li. Ok, vamos combinar que não é uma história como, sei lá, A Menina que Roubava Livros, mas não consigo ler True e ver só o romance de Rory com o todo poderoso, o todo gostoso Tyler. Vocês realmente conseguiram?

Eu não devia me importar com o que as pessoas achavam, mas talvez, se elas pensassem que eu era uma idiota patética, isso me importaria porque, no fundo, eu tinha medo de ser isso mesmo.
– 76

Primeiro porque, vem cá, o tema minha-amiga-é-virgem-socorro-precisamos-livrá-la-desse-mal não dura tanto. Não custaram tantas páginas para que Rory descobrisse tudo e tomasse uma decisão pessoal a respeito do assunto, seguindo com a vida. O grande drama da narrativa definitivamente não é esse.

Segundo porque não acredito em momento algum que a sinopse foi verdadeira quando disse que “Rory precisa decidir se vai cortar os laços com o perigoso mundo do namorado”. Ela não é do tipo classe média metidinha – algo que Jéssica, amiga dela, parece ser.

Rory deixa muito claro o que quer, ou melhor, quem quer, e se alguém prejudica o andamento das coisas é Tyler, com aquele papo esperado de “meu amor, não sou bom o bastante para você”. E, se querem a verdade: minhas críticas à narrativa se encerram aqui.

Ao sentir minha mão fria e pequena envolta na dele, grande e áspera, pensei, maravilhada, que podemos encontrar consolo em pessoas e lugares os mais inesperados, quando a gente nem sabia que precisava disso.
– 111

Gostei muito do livro e da forma como a história é contada. Gostei de como Rory se desenvolve e como Tyler tem lá seu lado clichê, mas, felizmente, não passa o livro inteiro insistindo nele. Imagino que o momento que ele elevou o pensamento ao máximo foi realmente por muita tensão e fez sentido. O que quero dizer é que não foi só drama.

Fiquei torcendo muito e esperei horrores que a autora fosse fazer o final de forma diferente, mas me surpreendeu a forma realista como ela tratou do problema e destruiu alguns sonhos – fazendo com que as cabecinhas precisassem ser quebradas para que novos planos surgissem.

True, “verdadeiro” em português, tem um significado maior na narrativa. Fiquei especialmente feliz pela Verus não ter colocado o título traduzido, como fez com Hopeless, e deixado os leitores descobrirem por conta própria os segredinhos da narrativa.

Que irônico, não? Que o coração físico fosse tão difícil de alcançar, e o meu coração emocional tivesse sido encontrado […] com tão pouco esforço.
– 133

Por fim, como não falar do amor? E não estou falando de Rory e Tyler mais. Estou falando de Tyler e os irmãos (que são uma graça e amorzinho supremo). Estou falando de Rory e Kylie, sua melhor amiga, a quem me apeguei bastante admito.

Estou falando da falta de amor próprio quando falamos da mãe de Tyler. Estamos falando de amor em todos os níveis! É sobre isso o livro. Não sobre sexo – ainda que ele esteja presente. Não sobre romance – ainda que seja pautado nisso. É sobre amor: família, amizade e, é claro, casais.

Quando minha avó me pegou no colo e me embalou na cadeira dura naquela sala de espera, com as lágrimas escorrendo pelo rosto e sua colônia de rosas me envolvendo inteira, ela murmurou para mim que o mundo tinha parado por um instante e ficado escuro, mas que no dia seguinte o sol ia nascer de novo.
-245

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