Resenha | Último Turno, de Stephen King

Último Turno
Autor(a): Stephen King
Editora: Suma de Letras
Páginas: 384
Avaliação: 4.3
Capa: 4 Diagramação: 5 Conteúdo: 4

No Último Turno, Stephen King termina a trilogia de Bill Hodges, o ex policial que agora trabalha no departamento Achados e Perdidos como forma de não encarar sua aposentadoria de vez, enquanto lida com um câncer no pâncreas que encerrará sua carreira na polícia pra sempre.

Apesar de ser o desfecho de uma trilogia, não é necessário ter lido os dois primeiros livros pra entender o terceiro. Eu só li a terceira parte e mesmo assim, consegui acompanhar a saga de Hodges e Holly atrás de Brady, sem problema nenhum.

Os personagens relembram em diversos momentos fatos e detalhes que ocorreram na primeira e segunda parte da trilogia, possibilitando que o leitor entenda como tudo começou, quem é de fato Brady Hartsfield, a proporção do que ele é capaz de fazer e as consequências disso na vida das pessoas ao redor (principalmente na dos protagonistas).

Mesclando ficção científica com muita ação, pitadas de drama e um toque sobrenatural típico do autor, Último Turno apresenta capítulos curtos, porém carregados de informações e novos acontecimentos que são importantes para o desenrolar da trama.

Por causa disso, achei a leitura um pouco densa e cansativa, porque não é um livro que te permite tempo para respirar. A cada capítulo surgem novos detalhes que são extremamente importantes para o leitor continuar a história. Contudo, ao mesmo tempo, a linguagem consegue ser fluída. Confuso, não é? Mas é exatamente isso; King nos traz uma leitura densa sem deixar de ser fluída.

Vou explicar melhor; sabe aquele livro que tem capítulos que poderiam ser facilmente descartados sem prejudicar em nada o entendimento da obra? Eu gosto de chamar de capítulo de respiro, pois nos permitem dar uma relaxada e aliviar um pouco a tensão da trama. Então, Último Turno não tem esse tipo de capítulo. Todos são importantes de alguma forma. Nada está ali à toa.

Eu, particularmente, não gostei muito do livro, porque tem muitos momentos de ação (talvez por isso se torne um pouco cansativo de ler), apesar do foco ser a ficção científica. Ação é um gênero que não me agrada e que não tenho muita paciência de ler ou ver.

Quanto à ficção científica, eu gosto, mas não sou apaixonada. Prefiro drama, suspense e tudo ligado ao sobrenatural. O que também tem no livro de King, mas muito pouco em comparação com outras obras dele, como IT e O Iluminado, por exemplo.

O sobrenatural, em o Último Turno, está mais ligado às coisas que ficaram sem explicação, ou seja, que aconteceram sem ninguém entender exatamente como aconteceu, nem o próprio Brady Hartsfield, e não a elementos sobrenaturais propriamente ditos.

Por outro lado, achei o personagem de Brady muito interessante e bem construído. Mesmo sendo um completo psicopata sem escrúpulos (e ele mesmo reconhece que é doente da cabeça, o que o torna ainda mais interessante), tem um alto nível de criatividade e inteligência, que se fosse direcionado para o bem, seria digno de admiração coletiva.

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