[Resenha] Uma História de Amor e TOC, de Corey Ann Haydu

Uma História de Amor e TOC
Autor(a): Corey Ann Haydu
Editora: Galera Record
Páginas: 320
Avaliação: 4.2
Capa: 5 Diagramação: 4 Conteúdo: 3.5

Bea tem alguns costumes um tanto peculiares. Ela chega uma hora antes na terapia com a Dra. Pat para ouvir (e escrever) a sessão anterior; ela dirige a incríveis 32km/h – sempre voltando para checar se atropelou alguém por acidente; e tem um histórico peculiar de perseguição.

Mas ei, ela não faz isso por mal. Ela só tem uma necessidade de seguir uma rotina fora do comum e sente que, se não fizer tudo como sua mente está mandando, alguém vai morrer, desaparecer. Talvez ela, talvez a outra pessoa, nunca se sabe, certo?

Essa é a questão sobre a ansiedade: é uma verdadeira sugadora de tempo.
– pág. 40

O problema está óbvio: perseguir alguém não é, nem pode ser, algo aceitável. Então a Dra. Pat a coloca numa terapia de grupo para que ela possa trabalhar mais as questões expositivas e o compartilhamento de informações. Justo, não?

É nessa terapia que ela conhece a garota que, fio por fio, arranca quase todo o cabelo; o garoto que vive se cutucando e machucando; a garota que tenta deixar a cadeira na posição perfeita e… Beck. O garoto que tem alguma coisa séria com limpeza.

Se os seres humanos são imprevisíveis, em geral, são totalmente loucos quando se apaixonam.
– pág. 189

Beck, o mesmo garoto que ela beijou quando faltou luz na festa que eles foram. Beck, o único normal – junto à ela – daquele grupo. Beck, o garoto que faz tudo em grupos de oito e vive na academia. Beck, que, quem sabe, não pode virar seu namorado?

Uma História de Amor e TOC é um livro que não coloca o TOC como um problema sem importância, nem o valoriza da forma errada. Bea tem TOC e precisa aceitar que é um problema sério que a pode colocar em apuros, como inclusive já colocou.

E não tem nada de sexy nesse tipo de tragédia, mas isso não impede Beck de me puxar para cima dele. O beijo é profundo. Profundo e irrestrito de uma forma que nunca foi com ele antes.
– pág. 239

Achei particularmente interessante como Corey Ann Haydu conseguiu desenvolver a história das personagens secundárias. Lisha é o tipo de melhor amiga que sabe que não está ajudando, mas quer ser boa amiga. Beck dispensa explicações.

Bea não é chata e até mesmo quem ela persegue tem suas personalidades que merecem uma segunda observação. O romance é fofo e ao mesmo tempo delicado, com ambos tendo que aceitar suas particularidades.

Senti que, de fato, a narrativa tinha toda uma lógica, mas teria encurtado o livro um pouco. É um livro bom, gostoso de ler, mas senti falta de algo – não sei exatamente o quê. Talvez mais choque para com o problema, como se desenvolveu nas últimas 100 páginas.

Senti que os primeiros capítulos foram essenciais e os últimos. O meio termo, bom, é legal e bem desenvolvido, mas poderia ser bem melhor.

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