[Resenha] Uma Noite para se Entregar, de Tessa Dare

Uma Noite para se Entregar
Autor(a): Tessa Dare
Editora: Gutenberg
Páginas: 288
Avaliação: 4.7
Capa: 5 Diagramação: 5 Conteúdo: 4

Susanna Finch é a mulher que tem Spindle Cove na mão. As demais mulheres, e todos os homens, recorrem à ela em qualquer situação de mínima ou máxima crise. É também ela quem gerencia a espécie de colônia de férias feminina, com suas atividades e festanças. Ela tem todo o controle, e gosta assim.

Mas o paraíso feminino fica ameaçado quando o tenente-coronel Victor Bramwell, mais conhecido como Bram, chega ao local, junto com seu primo desastroso e sua mão direita, Thorne. E a chegada não podia ser mais escandalosa: seu primo tem a brilhante ideia de afastar as ovelhas com bombas de pólvora.

Bram (que eu particularmente gostaria que fosse chamado de Victor, pois achei sexy) estava na guerra contra Napoleão e levou um tiro na perna. Por pouco que ele fica com ela no lugar e, mesmo com a recuperação, ele ainda manca.

Entretanto, um homem de guerra, treinado para ela, só sabe fazer uma coisa, certo? E é essa porta de entrada que ele quer encontrar em Spindle Cove – mais exatamente através do pai de Susanna, que possui alguma influência com seus superiores e era grande amigo de seu próprio pai.

O problema é que – após o encontro pouco decente com Susanna, quando ele a salvou de uma das bombas, sem nem saber quem ela era – ele só consegue um título que não quer, um castelo em decadência e uma milícia para formar numa vila onde mulheres são “mais macho que muito homem”.

Aquilo ia muito além de “gostar”, passava ao largo de “afeto” e chegava muito perto dos limites do absurdo.

Estava particularmente ansiosa para ler os romances históricos de Tessa Dare. Já tinha ouvido falar bem e fiquei curiosa: seria o romance de época que eu estava esperando para ler? E, sendo honesta, a narrativa em si não me atraiu tanto, mas o desenvolvimento da história não me permitiu largá-la em momento nenhum.

Primeiro que Susanna é o tipo de mulher que definitivamente não era bem aceita na época, por ser forte e pensar nos aspectos positivos da vida antes de se entregar a lamúrias e sofrimentos. Ela sabe o que gosta (controle) e não mede esforços para reforçar sua posição na vila, ameaçada pela chegada de Bram, igualmente forte.

Apesar de frases naturalmente de cunho machista (porque ei, não tem como ser totalmente livre disso numa época em que machismo era regra social), Bram diz uma coisa real até hoje: para uma mulher forte, somente um homem que não se intimide. Logo, um homem igualmente forte.

Bram não se intimida, mesmo com as brigas e troca de farpas, nem foge dos limites do respeito. E Susanna não é nenhuma mocinha em apuros, ela não quer ser salva. Descobre querer um companheiro e isso ela pode ter em Bram. Fora que as personagens secundárias já me deixaram curiosa para os próximos volumes e formando outros casais.

Também gostei da surpresa em alguns momentos, quando a autora se prendeu em coisas realmente importantes em vez de focar em crises a partir de situações um tanto esdrúxulas. Ela simplesmente resolvia a situação e passava para a próxima de uma forma que não ficou chato, ou bobo, ou forçado.

De fato, a única coisa que me incomodou um pouco em Uma Noite para se Entregar foi a forma de narrar, sem me fazer sentir tanto quanto outros livros fazem. Mas, sem dúvida, é uma ótima recomendação.

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