Resenha | Xeque-Mate da Rainha, de Elizabeth Fremantle

Xeque-Mate da Rainha
Autor(a): Elizabeth Fremantle
Editora: Paralela
Páginas: 328
Avaliação: 4
Capa: 4 Diagramação: 5 Conteúdo: 3

Como dizem, somos donos de nossas próprias histórias, mas nem sempre podemos contá-las da nossa forma. O que lemos sobre o passado de outras pessoas podem ser leituras feitas por outrem e nem sempre dizem quem somos. Quantas histórias e quantos personagens são lidos e relidos? Quantas vezes seus passados são reinterpretados? E quantos são os personagens cujos passados desconhecemos?

Passados esquecidos ou marginalizados podem vir à tona em algum momento da história. A escritora Elizabeth Fremantle se propõe a nos contar sobre a vida de algumas mulheres cujo papel foi amassado na história da monarquia inglesa. Katherine Parr foi uma delas.

A história do livro se inicia com Katherine Parr cuidando de seu marido, o segundo dela, enfermo e quase morrendo. As pessoas mais próximas consideram-na uma pessoa bondosa por dedicar-se à saúde de seu marido. Mas, por meio dos pensamentos dela, o leitor entra em contato com seu segredo, pois ela usou seus conhecimentos sobre plantas medicinais para ajudar na piora da saúde de seu marido, corroborando para o falecimento dele.

Logo após tornar-se viúva, mais uma vez, ela e sua enteada são convidadas para irem à corte. O desejo do rei da Inglaterra era casar-se mais uma vez e agora era Katherine a sua escolhida. Ela, entretanto, se apaixonara por outro homem, mas foi preciso casar-se com o rei e não se deixar levar por esse sentimento.

O rei Henrique VIII há anos antes havia liderado o rompimento com a Igreja, mas no momento em que cortejava a viúva Katherine Parr ele estava em dúvida se devia ou não prosseguir com a reforma. Katherine e sua família eram à favor da reforma e ao estarem cotidianamente na corte, envolveram-se em leituras de livros reformadores, como Calvino.

Justamente em relação a esses conflitos de fé e de ideias que o livro mais peca. A narrativa de Fremantle não se aprofunda nas intrigas e no teatro da corte. Estar em meio a nobres e perto do rei significava atuar para manter-se ou melhorar a posição hierárquica e agradar o rei, cuja conduta era imprevisível.

O mais interessante do livro é notar a participação da mulher, ator histórico marginalizado por muito tempo pela própria historiografia, na defesa de seus próprios pensamentos num universo fortemente masculino. Katherine Parr é retratada como uma personagem que jogava conforme a necessidade de sobreviver na corte e pretendia defender seus ideais, inclusive buscou publicar, como rainha, um livro com seus pensamentos reformadores. Desse modo, como todos na corte, Katherine era mais uma peça no tabuleiro de xadrez, sendo a rainha.

A metáfora do jogo de xadrez é interessante para retratar como era o comportamento nas cortes. O título dá-nos a ideia de que a rainha Katherine venceu a partida. Ela soube ser uma estrategista para se defender. Creio, entretanto, que o leitor deve concluir se ela venceu ou não a partida de xadrez.

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