Em vez da revolta, o silêncio

Tenho visto muita gente reclamar sobre o que chamam “feminismo excessivo” ou sobre temas que tem sido recorrente, como a questão do preconceito racial e a homofobia. Em uma época onde temos a liberdade de expor nossa opinião em redes sociais como o facebook, a questão sobre julgar o que é certo ou errado, julgar as atitudes alheias, tem causado muita discussão. Será que o feminismo perdeu seu foco? Será que falar tanto sobre o preconceito racial e homofobia são assuntos que ainda deveriam ser colados em pauta?

Para refletir essas questões, gostaria de lembrar aqui, um caso que recentemente ganhou as mídias, a denúncia por assédio feita pela figurinista Suesllen Tonine contra o ator global José Mayer. Muitos comentários surgiram nas redes sociais demostrando apoio a denúncia feita pela figurinista. O caso inclusive foi motivo de comoção entre os próprios funcionários da Rede Globo.

Ainda assim, muitos questionamentos sobre a conduta da figurinista vieram através das redes sociais. Em muitos desses questionamentos, a postura da figurinista em ter se silenciado durante os meses em que mesma diz ter sofrido assédio, despertou críticas e dúvidas sobre a denúncia feita contra o ator. Em muitas dessas críticas e comentários na internet, as pessoas questionaram o tempo de carreira do ator e a credibilidade da imagem que ele teve, durante anos perante a mídia e ao público.

Acho válido, pararmos para pensar, em como devemos reagir e nos posicionar diante de tantas coisas que ainda precisam mudar na nossa sociedade. Se podemos denunciar, se podemos protestar, por que ficar calados?

O que deveríamos refletir neste caso, é justamente a posição de vulnerabilidade em que as mulheres ainda se encontram diante de assédios e outros tipos de violência. Quantas mulheres ainda nos dias de hoje vivem uma realidade seja de violência doméstica ou assédio no trabalho e se veem obrigadas a optar pelo silêncio? Infelizmente temas como o feminismo, a luta pelo direito dos homossexuais, igualdade para todas as raças ainda se fazem necessários.

O silencio não é reposta para o desrespeito e a violência. Enquanto houverem casos como esses, é necessário sim, lutar, protestar, fazer barulho. Não se tratam de modismos, mas de direitos humanos. Respeito, deve ser sempre uma pauta em questão.


Por Camila Souza
Estudante de letras. Apaixonada eternamente por literatura. Mãe de gatos. Simpatizante das causas feministas. Impaciente com qualquer tipo de preconceito.Viciada em cinema. Admiradora dos poetas.

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