O rock e a diversidade social

Há um tempo, ouvi um podcast sobre o existencialismo filosófico e uma das informações dadas foi uma frase dos Beatles que cabe muito bem à proposta do texto: “O futuro do rock será o que fizerem dele”.

Não recordo se foram essas as mesmas palavras usadas, mas como se observamos, no decorrer das décadas, a transformação do gênero, adquirindo diversos “subgêneros” – caso seja um bom termo para adequar a quantidade de formas que o rock é explorado pelos músicos. É essa maleabilidade presente nas artes, aqui tendo o rock como destaque, que torna difícil aceitar categorias limitadoras de gênero musical.

Portanto, o que torna difícil escrever sobre o rock é a sua característica multifacetada. Assim como nós e a sociedade que compomos, o rock é composto por várias vertentes e definir é uma tarefa árdua. Por meio da música, das suas divisões, seus gêneros e padrões estilísticos, podemos notar a diversidade que toda sociedade tem.

Nenhuma é composta apenas por um padrão de corpo, de roupa, de pensamento, de religião etc. A música, e nesse caso o rock, é apenas um reflexo de como todas as sociedades são complexas e estão em constante discussão acerca dela mesma.

Além disso, devemos considerar também as transformações que acompanham a humanidade e nas coisas que ela produz, sobretudo nas artes, em que o mais íntimo, o pensamento, a filosofia, a história de um povo ou grupo social, ou até mesmo as transformações na linguagem verbal estão presentes.

Até mesmo a história do rock pode ser questionada, pois a história é uma seleção de fatos, em que outros são marginalizados ou esquecidos. Podemos acrescentar também que a história é escrita pelo olhar de uma pessoa ou um grupo, sendo extremamente vital se debruçar sobre o passado.

Vejamos, um dos maiores ídolos do gênero é Elvis Presley. Contudo, quem questiona esse símbolo, encontrará nomes de outros artistas que faziam parte desse novo cenário musical, mas que tinham uma característica que os colocavam à margem. Eram negros ou mulheres.

Desculpe, caro leitor, se acha minha visão maniqueísta. Mas pense, anos 1950 nos Estados Unidos, uma década antes do Movimento dos Direitos Civis. Elvis tinha talento e sua imagem era boa para impulsionar esse o rock. Mas não era um período em que todos os seres humanos eram priorizados pela sociedade – igualdade que até hoje não conseguimos, não é mesmo?

O rock não foi bem visto por muito tempo, assim como o samba já foi marginalizado e o funk é criticado hoje. Mesmo Elvis e sua dança, como em Jailhouse Rock de 1957, eram consideradas sensuais demais para aquela sociedade.

O rock era rebelde e transgressor. Décadas foram se passando, e o rock mudando. Beatles, The Doors, The Smiths, Joy Division, Nirvana, Hole, Arcade Fire e outras bandas eternizadas até hoje representam não apenas um gosto musical, mas uma forma de expressão de indivíduos e grupos.

Como dito, o rock é apenas um microcosmo da sociedade, composta por disputas e necessidades de formas de expressão. A sociedade que nos aprisiona em suas construções de gênero, do que é certo ou errado, do que vestir e não vestir, é também uma sociedade que muda constantemente.

E por que não perceber essa diversidade nos homens que buscam desconstruir barreiras sociais por meio da história do rock?

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