Rock: inspiração, êxtase e libertação

Este lugar tem tudo que eu odiaria. Absolutamente tudo. Pessoas suadas e bem pertinho de mim, gritos que chegam a me deixar um pouco assustada. Mas, dessa vez, meu coração não se acelera pelo pânico de estar em um ambiente fechado e escuro, e sim pela ansiedade em fazer desse o melhor momento da minha vida.

O som começa e preenche meu peito de uma forma que quando percebo também estou gritando a plenos pulmões. Grito palavras que são letras de músicas, amor eterno, felicidade ou apenas minha histeria particular que se liberta junto com os primeiros acordes da guitarra. Toda minha altivez se desmancha, e nesse momento sinto-me ligada a cada um que também está ali. Há algo que nos move, é mais do que música, é energia simples e pura.

A música alta vibra dentro de mim, e meu corpo se move num ritmo próprio, eu que não sou lá de dançar, me pego balançando de um lado para o outro com uma força que nem conhecia. Tudo é uma sensação, o rock que antes só explodia nos meus fones preenche esse espaço e as paredes parecem não ser o suficiente para o som que se desmancha nota a nota.

Sempre gosto de parar e olhar ao meu redor, desprendendo um pouco de mim mesma. Todos estão como eu, extasiados e vivendo algo tão próprio. Percebo que estamos partilhando nossos sonhos, lembranças, desejos, luxúrias, e pergunto em que momento poderíamos ser assim, tão únicos e tão nossos.

Meus pés já doem, mas essa música me lembra a pessoa que um dia amei e o peito arde, junto com as lágrimas que descem sem controle e embargam minha voz já rouca. Como na letra, eu prometo seguir em frente, mais uma vez. É como uma prece silenciosa aos céus.

É difícil acreditar que estou no mesmo ambiente dos meus ídolos, ouvindo canções que refletem perfeitamente fases de mim mesma. É mais que identificação, é uma sintonia que me envolve por completo naquilo que sou e do que desejo ser.

Conforme o show vai chegando ao fim, no que me resta de último fôlego pulo mais uma vez e levanto minhas mãos em agradecimento. As luzes se ascendem e o som então para. O que foi intensidade de início ao fim agora se converte em liberdade. Saio leve, com a certeza de que em poucas horas vivi e senti o extraordinário.


Por Daiane Jardim
exclusivamente para Versificados

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