Análise Crítica | The OA: uma aposta da Netflix

Série The OA Imagine que uma jovem cega some por anos — e volta enxergando perfeitamente bem, mas visivelmente abalada e traumatizada. Essa é Prairie, ou Nina, ou simplesmente OA, interpretada por Brit Marling; criada e produzida pela própria, em parceria com Zal Batmanglij que também assina a direção. Brat Pitt é um dos produtores executivos. E The OA é mais uma aposta da Netflix.

The OA definitivamente não foi feita pra ser uma série mainstream (como no caso de Stranger Things que é praticamente uma unanimidade) ou você acha brilhante, ou fica irritadíssimo. Diferente de Stranger Things, que é uma série redonda e soluciona suas questões até o final, The OA te convida a embarcar numa viagem onde quem decide o final é você! Assim como Cisne Negro, ou até mesmo Dom Casmurro, afinal, Capitu traiu Bentinho?

Sua narrativa não possui um ritmo acelerado, mas aos poucos vai revelando elementos que vão dando formato à história. A cada novo episódio, descobre-se mais sobre o que ocorreu durante o sumiço de OA.

Um ponto importante a ressaltar é que todos os episódios terminam despertando muita curiosidade no espectador, que fica ansioso por desvendar todo aquele mistério e consegue maratonar os episódios tranquilamente. Diria que esse é um dos fatores que determinam se você vai ficar “irritadíssimo” no final, porque a série te provoca expectativas, mas não fecha o arco, e a conclusão fica por sua conta e risco. Não, não é simplesmente buraco no roteiro, é exatamente o que ela se propõe a fazer desde o início, vou explicar…

Inicialmente, OA se recusa a contar o acontecido, não confia nem na polícia e nem nos próprios pais, todavia está muito determinada a colocar um plano em prática. Por isso, tem a ideia de juntar cinco pessoas através de uma mensagem na internet; elas, curiosas pra escutar o que ela tem a dizer, formam um grupo secreto que a cada reunião fica sabendo mais partes da historia.

O espectador, por sua vez, embarca com aqueles cinco personagens em uma viagem psicológica em que não se sabe ao certo o que é o lúdico e o que é real, afinal qualquer pessoa em sã consciência acharia no mínimo surreal os relatos de OA, uma vez que a historia é ambientada nos dias de hoje.

Série The OA

Entretanto, ao longo da narrativa, o espectador vai se afeiçoando a ela. Isso acontece na mesma velocidade com as personagens, que criam um vínculo forte e uma conexão empática com a mulher que pode ser descrita como altamente persuasiva, ainda que sem a conotação negativa que a palavra pode sugerir. No fim das contas, você de fato acaba comprando a briga dela.

Tanto o lúdico quanto o real são possíveis: o ser humano normalmente edita suas memórias, então imagina quem passou por um trauma… Seria quase que uma forma de sobreviver psicologicamente.

Da mesma forma que a história que ela nos conta tem tudo para ser puramente real, sem nada de invenção; algo possível porque estamos falando de uma série que se autointitula ficção científica. E, de quebra, com um roteiro que deixa um espaço milimetricamente calculado pra que tanto uma conclusão quanto outra façam sentido. Algo, precisamos dizer, difícil de se conseguir executar.

The OA não se trata de descobrir o que é mentira, e sim de entender que a verdade é relativa e que se você acredita em algo, é verdade pra você.

Eu diria que OA não mentiu ao contar sua história, ela de fato acreditava no que dizia. A grande sacada é que você escolhe se tudo não é fruto da imaginação dela, ou se de fato aconteceu na íntegra. Catártico! No fim das contas, a série diz mais sobre o espectador — em que você escolheu acreditar?

Poderia terminar tranquilamente na primeira temporada, eu diria que se mexer mais corre o risco de estragar, porém Brit e Zal estão dispostos a desvendar o enigma e revelaram que existem planos pra segunda temporada. Sendo assim, que venha mais The OA, e que ela de fato cumpra a sua missão, seja ela qual for.

Por Fernanda Zau
do canal Fernanda Zau, exclusivamente para Versificados

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