#Writertoberbr | Dia 03: O desafio de não se mexer

Postou-se sentada, as pernas cruzadas, os olhos fechados e as mãos apoiadas no joelho. Aprendera a postura nas aulas de yoga, e se julgou pronta para os minutos seguintes. De fato, aguentou bem. Cinco. Dez. Quinze. Vinte minutos. Os pés começaram a doer, os dedos pareciam desconfortáveis, um em cima do outro. A dobra da perna suava. O vento que batia leve no seu cabelo não refrescava, queria fazer um coque.

Vinte e cinco. Trinta. Trinta e cinco minutos. A perna esquerda começou a doer. O braço direito estava rígido. A cabeça parecia pesar no pescoço. Faltaria muito ainda? Queria abrir os olhos e checar as horas. Queria, mais que tudo, esticar-se no chão. A respiração desregulou: e se aquelas dores significassem alguma coisa? Por que não fizera um coque antes de começar? Meu Deus, como queria ter entrado naquele caminhão… Aliás, o que diabos ela estava fazendo ali? As costas começaram a doer, ela queria se curvar.

Quarenta. Quarenta e cinco. Estava impossível aguentar a dor na coluna. Precisava esticar os dedos das mãos, as pernas, os braços. Tudo doía, uma dor que nunca havia sentido. Aquilo não poderia ser certo, precisaria daqueles cinco minutos. Teria que ir embora, pararia no hospital. Tinha certeza de que havia algo muito errado. Seu corpo estava no limite. Ela não aguentaria mais um minuto daquele jeito. Queria chorar. Copiosamente.

Cinquenta. Cinquenta e cinco. Estava amortecida. Suas dores não ditavam mais seus pensamentos. Estes, agora focados, traziam conforto. A respiração, agora regulada, enchia seus pulmões com ar. Ela estava em paz.


Este texto foi escrito a convite da Editora Rocco para o projeto Writertoberbr,
que incentiva a escrita de até uma página por dia durante o mês de outubro.
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