#Writertoberbr | Dia 04: A arte de pertencer

Sessenta minutos. Precisou de alguns segundos para entender que tinha conseguido. Não sentiu euforia. Não comemorou. Não quis contar a ninguém. Aquela experiência era sua, única e exclusivamente.

Mexeu os dedos dos pés primeiro. Seguiu para os das mãos, reconhecendo seu corpo de um jeito completamente novo. Mexeu o nariz, franziu as sobrancelhas. Tirou as mãos do joelho, apoiou-as no chão. Sentiu sua textura e temperatura. Arrepiou-se. Sorriu.

Esticou a perna esquerda, seguida da direita. O braço direito, seguido do esquerdo. Alongou-se, segurando os pés com as mãos. O chão abaixo dela era seu lugar, ditava seu espaço. Pisou nele de um jeito diferente, sentindo todas as miudezas. Espreguiçou-se.

O céu estava azul. O vento ainda soprava suave. Sentia que pertencia a si mesma, ao universo e tudo mais. Estava exatamente onde deveria estar. E entendeu que tudo passa. A dor, a saudade, o medo, a tristeza, o choro, a angústia, o desespero. A felicidade, a nostalgia, a risada, a liberdade, a coragem, a positividade, o entusiasmo, a esperança, o otimismo. E tudo bem.

A vida é fluida, repleta de mudanças. Às vezes, ela permite que as mudanças de duas pessoas se acompanhem, e, juntas, elas se tornam mais fortes. Às vezes, levam-nos para caminhos diferentes. Mudar não é bom nem ruim, só é o que é. O que se faz com isso é que realmente importa. São escolhas.

Pode-se ir ou ficar. Lutar ou desistir. Aceitar ou resistir. Pode-se ser inteiro, independentemente dos mares serem calmos ou turbulentos. Pode-se mudar junto ou separado. Pode-se pertencer.


Este texto foi escrito a convite da Editora Rocco para o projeto Writertoberbr,
que incentiva a escrita de até uma página por dia durante o mês de outubro.
Leia todos os textos para a ação neste link.

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