#Writertoberbr | Dia 06: Perfectum

per·fei·to
adjetivo

Segunda-feira, aula de latim. Enquanto ensinava as formas verbais e os três tempos existentes, a professora deixa escapar uma curiosidade. “Perfectum” é o tempo verbal que indica ações encerradas, e foi dessa palavra que surgiu o nosso “perfeito”, que, por sua vez, traz alguns significados. Magistral, sem defeito, notável, um acorde com três ou mais notas e… Completo.

Verdade seja dita, há muito tempo ela não acreditava nessa palavra como algo necessariamente positivo. Um trabalho podia ser perfeito, assim como uma música ou uma fotografia. Encerrados, não eram mais passíveis de mudanças e, nesses casos, o melhor é se contentar e aceitar. De resto, pensava que a perfeição só podia existir quando formada por elementos imperfeitos; uma paisagem, por exemplo, só seria verdadeiramente magistral quando uma nuvem não estivesse no seu formato padrão, quando um barco atrapalhasse o infinito do oceano e uma bicicleta aparecesse em uma foto cuidadosamente planejada.

Em se tratando de pessoas, entretanto, era impossível. Uma pessoa completa não tem mais o que acrescentar ou no que ser acrescentada. Será sempre a mesma, fazendo as mesmas coisas dos mesmos jeitos. Não há espaço para espontaneidade e experiências, para o amor ou o ódio — questionou-se se pessoas perfeitas seriam capazes de sentir. E não seriam. Sentir traz mudanças.

E esta não faz parte da definição. Mudança, naturalmente, é vida. E, para ser vivo, não se pode estar no passado.


Este texto foi escrito a convite da Editora Rocco para o projeto Writertoberbr,
que incentiva a escrita de até uma página por dia durante o mês de outubro.
Leia todos os textos para a ação neste link.

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