#Writertoberbr | Dia 08: Sobre desacelerar e tentar outra vez

Entrou satisfeita no carro. O dia lindo, com o sol brilhando e um vento fresco, contribuía para seu bom humor. Pela primeira vez em semanas, acreditou que tudo realmente estava bem. Seu sorriso não era falso, seu olhar não tentava esconder alguma disputa interna, suas mãos não tremiam pela falta de controle. Seu coração estava tranquilo.

Com as mãos no volante, o carro ainda desligado, percebeu que levantar da cama não foi um sacrifício. Tomar banho e lavar o cabelo foi, na verdade, prazeroso. Escolher uma roupa bonita, colocar um pouco de maquiagem, sair de casa – tudo isso foi como a maioria das pessoas não deve notar que é: leve.

Agora, prestes a voltar para casa, estava no topo. Girou a chave. Acertou a marcha. Saiu do estacionamento. Sabia o caminho de cor; deixou o celular no volume máximo e as músicas em ordem aleatória.

Seguiu pelos próximos vinte minutos assim. Até que, ao fazer uma curva, aquela ideia passou pela sua cabeça. E se batesse? Acelerou. Bom, se batesse nada poderia voltar a ficar ruim. Estaria para sempre naquele momento bom.

Só que… Não podia fazer isso, podia? Deixar tudo para trás? Claro que não. A vida poderia ser boa assim outras vezes. Seria, se dependesse dela. Acelerou. Um movimento brusco com as mãos bastaria. Ela não seria culpada, porque seria um acidente. Ninguém saberia da parte voluntária. Seria seu eterno segredo. Só precisava…

Mas desacelerou. Desacelerou até parar no acostamento. Fechou os olhos, respirou fundo. Decidiu acreditar mais uma vez em si mesma e dar mais uma chance à vida. Mais uma hora, mais um dia, mais uma semana. Dessa vez, faria diferente. Faria valer a pena.


Este texto foi escrito a convite da Editora Rocco para o projeto Writertoberbr,
que incentiva a escrita de até uma página por dia durante o mês de outubro.
Leia todos os textos para a ação neste link.

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